sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Substâncias psicoativas e sua relação com o homem ao longo da História


O consumo de substâncias psicoativas é um fenômeno que acompanha a civilização; ou seja, sempre existiu, em todas as culturas humanas, o uso de produtos que alteram os estados de consciência. Desde épocas remotas, as drogas são utilizadas em rituais religiosos ou místicos; ou ainda, mais recentemente, em movimentos socioculturais. O padrão de uso será sempre expressão do contexto cultural.

As drogas, conceituadas como substâncias psicoativas, à medida que alteram as funções do Sistema Nervoso Central, no que se refere às sensações, ao grau de consciência ou ao estado emocional, respondem, de
certa maneira, às exigências do contexto sociocultural, pois oferecem, em seus efeitos, uma resposta imediata e muito intensa a quem as consome, produzindo sensações de prazer e modificando a relação do sujeito com o mundo, ainda que, em pouco tempo, cessem seus efeitos, o que desencadeia a procura por novas doses, gerando uma nova necessidade de consumo. Elas respondem, assim, à compulsão do consumo da contemporaneidade. Da mesma forma, preenchem, por alguns instantes, o vazio existencial produzido pela falta de perspectivas de vida, ainda que seja uma falsa doação de sentido, pois este fica na dependência do consumo da substância.

Efetivamente, nas alterações socioculturais da contemporaneidade, as drogas – sejam as lícitas, sejam as ilícitas – ocupam um papel central na dinâmica social, presente em vários cenários sociais e em distintas classes, estando relacionadas às primeiras causas mortis evitáveis no mundo e ao atuante cenário da violência urbana, de conflitos psicossociais, das faltas ao trabalho. Importa, no entanto, o entendimento de que os vários aspectos implicados na constituição da situação do uso de drogas exigem um olhar mais abrangente.

As atividades de prevenção devem ser prioritárias nas políticas públicas sobre drogas, pois almejam intervir no contexto social para evitar que o consumo problemático de drogas se converta em um problema social de grande magnitude, baixando o custo social decorrente.

Partindo da compreensão da multideterminação do fenômeno do uso de drogas, implicando a relação entre os seus três elementos centrais: os contextos, os sujeitos e as drogas.

Na dimensão do contexto, é necessária a compreensão dos aspectos socioculturais envolvidos no uso de drogas.

Na dimensão do sujeito, é importante construir a concepção da integralidade, compreendendo-o em suas múltiplas determinações biopsicossociais e suas mútuas implicações.
Na dimensão da droga, faz-se necessário compreender as características das diversas substâncias psicoativas na interação com os sujeitos. As drogas, com seus diferentes mecanismos de ação no sistema nervoso central, levam a distintos efeitos: estimulantes, depressoras ou perturbadoras, sendo que sua intensidade depende da interação com fatores, tais como a quantidade e qualidade da droga, via e padrão de consumo, condições ambientais e psicossociais, além das expectativas daquele que dela faz uso.

De modo geral, considera que as práticas de saúde voltadas para os usuários e substâncias psicoativas devem ter como objetivo diminuir vulnerabilidades psicossociais, ao controlar fatores de risco e fortalecer fatores de proteção relacionados aos contextos do uso de drogas, a fim de possibilitar a reconstrução de laços sociais, colocando-se como base da formulação de ações de promoção de saúde e prevenção de riscos no âmbito dos problemas relacionados ao uso de drogas.

FONTE:
Curso Prevenção dos Problemas Relacionados ao Uso de Drogas: Capacitação para Conselheiros e Lideranças Comunitárias - 6ª edição, promovido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da Justiça (SENAD-MJ) e executado pelo Núcleo Multiprojetos de Tecnologia Educacional da Universidade Federal de Santa Catarina (NUTE-UFSC).

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