sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

O abismo digital no acesso à tecnologia, informação e educação

Da mídia social para telefones celulares até tecnologias que podem ser vestidas junto ao corpo, a conectividade digital impulsiona a vida diária. Com a utilização generalizada das tecnologias de informação e comunicação, tendemos a ignorar o assustador abismo digital global. Na era digital, muitas das liberdades básicas e dos direitos humanos fundamentais estão intrinsecamente ligados ao direito ao acesso digital. Como resultado, as Nações Unidas declararam o acesso à Internet um direito humano básico (KRAVETS, 2013), devido à sua capacidade de fornecer acesso à informação, possibilitar a liberdade de expressão, permitir que os cidadãos participem do processo político de seu país e por permitir-lhes participar ativamente da vida cultural de suas comunidades.
E, no entanto, apenas 39% da população mundial tem acesso à Internet. Setenta e cincos por cento dos europeus estão on-line, enquanto apenas 16% dos africanos têm acesso à Internet (INTERNATIONAL TELECOMMUNICATION UNION, 2013).
O abismo digital também atravessa países desenvolvidos e aqueles em desenvolvimento, devido ao acesso limitado à tecnologia e aos baixos índices de alfabetização. Apenas 37% das mulheres no mundo estão on-line, contra 41% dos homens. Por conta de normas culturais locais em relação às mulheres, taxas de alfabetização e desigualdades de gênero, existe também uma diferença de gênero significativa no tocante ao acesso, mesmo quando as tecnologias digitais estão disponíveis na região. Conforme aponta Clara Vaz (2014), consultora de direitos da mulher, parte do desafio é a distribuição de informação com base em gênero. Os homens criam a maior parte do conteúdo on-line. Por exemplo, na enciclopédia open source Wikipedia, apenas 16% dos editores são mulheres – e elas contribuem com apenas 9% das mudanças de inserções na Wikipedia (LAM; UDUWAGE; et al., 2011); uma vez que a Wikipedia depende de voluntários para adicionar conteúdo, isso tem sérias implicações. Muitas vezes, as informações relativas à violência contra as mulheres estão ausentes ou imprecisas. Durante uma conferência de programadores de computador (hackathon) organizada pela Breakthrough em dezembro de 2013, um grupo de ativistas e jornalistas identificou e editou um conjunto de inserções-chave na Wikipedia que havia deixado de fora informações importantes sobre a violência sexual contra as mulheres, como um artigo sobre as diretrizes a respeito de assédio sexual no local de trabalho na Índia e um artigo explicando o julgamento histórico de um caso de estupro.
A censura do governo e a política corporativa também limitam o acesso digital. Afinal, a censura do governo significa que as pessoas em todo o mundo não experimentam e acessam a Internet e as ferramentas digitais na mesma medida (MACKINNON de 2014). Em alguns casos, os governos nacionais e as grandes corporações controlam a maneira com que certas populações usam a Internet, resultando em desigualdade na liberdade de acesso à informação. Para operar em certos países, empresas como o Google têm que exercer autocensura e limitar algumas das informações acessíveis aos seus usuários.

Mallika Dutt e Nadia Rasul. Conscientização digital: uma análise das oportunidades e dos riscos enfrentados pelos ativistas de Direitos Humanos na Era Digital. SUR. Revista Internacional de Direitos Humanos. Rede Universitária de Direitos Humanos. v. 1, n. 1, jan. 2004. São Paulo, 2004.

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