sábado, 7 de novembro de 2015

A ciência em ação: o museu virtual de imagens da cultura africana e afrodescendente

Recortes do Artigo

Em nível de ações de ciência e tecnologia, entendemos que uma sociedade que se baseia na informação, no conhecimento e no aprendizado, necessita criar as condições adequadas, a fim de que cidadãos/ãs brancos/as e cidadãos/as negros/as tenham acesso a uma educação científica de qualidade.

Sem dúvida, os avanços da sociedade da informação rumo à sociedade do conhecimento e aprendizado estão imbricados no tripé ciência, tecnologia e inovação, sendo que essa relação, envolvendo conhecimento científico e tecnológico, precisaria estar na agenda política do atual governo como um fator prioritário e estratégico, a fim de que possamos construir uma sociedade inclusiva e multicultural.

É importante ressaltar que o Nordeste é um dos mais caracterizados pela exclusão de expressivas camadas da população e, de modo específico, das populações de origem africana e afrodescendente.

São condicionantes para o desenvolvimento científico e tecnológico do país a formação de profissionais qualificados em número suficiente e seu aproveitamento adequado, além do aumento do conhecimento científico e do interesse pela ciência e tecnologia entre a população em geral e, em particular, entre os jovens.

Se a educação é que define a sociedade da informação que teremos, questionamos: Que educação? Que escola? Que conteúdo?

É preciso que brancos(as) e negros(as) pobres saibam o que os cientistas (escritores, literatos, advogados e engenheiros) negros já fizeram e sobre a importância que o Brasil já conquistou entre as nações produtoras de conhecimento multicultural.

Sobre a proposta de criação de um museu virtual que funcione como um centro de difusor da história cultural de africanos e afrodescendentes, utilizando as TICs como meio de disseminação do conhecimento:

Na proposta de criação, o museu virtual deverá assumir o caráter permanente de centro de difusão e popularização da ciência para alunos/as das camadas populares, utilizando tecnologias abertas e ampliando a base de pesquisa para o desenvolvimento de competência na coleta, na armazenagem, no processamento e na disponibilização de imagens sobre artefatos africanos e afrodescendentes em diferentes formatos, e acessíveis via Internet.

Este trabalho é parte do projeto de pesquisa “A hora e a vez da afrodescendência: a criação do museu virtual de imagens da cultura afrodescendente e africana nos estados da Paraíba e Ceará”, em andamento, na Universidade Federal da Paraíba. Tal projeto propõe a criação de um museu virtual de imagens da cultura africana e afrodescendente como um centro de difusão e popularização da ciência na educação informal, a partir do uso das tecnologias da informação e comunicação (TICs) em consonância com as ações do grupo de pesquisa Informação, Cidadania e Memória.

A criação do museu virtual propõe viabilizar a construção de um currículo que contemple a diversidade étnico-racial, visando a tornar os conteúdos de ensino mais interessantes e próximos das realidades dos estudantes da Paraíba, adotando-se uma prática de valorização do patrimônio material das culturas africana e afrodescendente, nas suas diferentes formas de manifestação, na perspectiva de ampliar o acesso à escola e a construção de um currículo que torne positiva a presença da população negra em todas as atividades da vida humana, incluindo-se a ciência, a educação e a cultura e suas inovações.

Suas ações sinalizam também para a criação de uma rede de comunicação, interação e aprendizagem por meio da Web, cujo interesse central seja a história e a cultura da afrodescendência brasileira, construindo, coletivamente, conhecimentos e veiculando, socialmente, novas representações que valorizem a história e a cultura negra como parte essencial e indispensável à constituição da identidade nacional brasileira.

É importante considerar que na atual sociedade da informação rumo à sociedade do conhecimento, em que a informação assume um papel estratégico, o combate à discriminação e ao racismo está na pauta da agenda política do Movimento Social Negro (Coordenação de Entidades Negras), Movimento Negro Unificado (MNU) e Coordenação Nacional de Remanescentes de Quilombos, dentre outros campos de ação.

Os negros/as têm se empenhado em uma ação fundamental na desmistificação da democracia racial e na elaboração de propostas de políticas públicas que contribuam para a alteração do quadro de exclusão, de desigualdade e opressão, não apenas racial, mas também de gênero, destacando-se o protagonismo das mulheres negras no processo organizativo, desde o período da escravidão (BRASIL, 2005), trazendo para a cena política um conjunto de questionamentos que se estendem desde a discriminação de gênero e raça, incluindo os efeitos perversos para sua educação, saúde e política de informação.

A educação para o século XXI suscita novos conteúdos, novas metodologias, novas leituras da ciência e das imagens, requerendo da escola o compromisso de transmitir uma educação científica compatível com a sociedade multicultural com a qual se depara em seu cotidiano.

O desafio de promover a inclusão das populações africana e afrodescendente na sociedade da informação e do conhecimento, certamente, não compete apenas ao poder público. Além de resultar de uma luta histórica dos movimentos étnico-culturais, essa demanda reclama de toda a sociedade o compromisso com ações que ampliem os mecanismos públicos e privados de inclusão social, tidos como essenciais à superação do analfabetismo funcional e digital no país.

(...) o museu terá o objetivo de colaborar com a ampliação do conhecimento científico e tecnológico da população em geral, estimular a curiosidade, a criatividade e a capacidade de inovação dos jovens, bem como valorizar o potencial de resistência da cultura afrobrasileira e, ao mesmo tempo, fomentar o domínio e a recriação de ferramentas importantes do patrimônio cultural e universal da humanidade.

FONTE: Inclusão Social, Brasília, v. 2, n. 1, p. 18-29, out. 2006/mar. 2007

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