sexta-feira, 11 de março de 2016

Elas por Eles com José Humberto Filho

José Humberto Pereira Muniz Filho
Novolindense, Bacharel em Direito pela UFPB, Mestrando em Direito pela UNICAP-PE, Advogado, residente em João Pessoa-PB.
ENTREVISTA nº 12
Lucélia Muniz - Dentro do contexto atual, na sua opinião, quais as principais conquistas alcançadas pelas mulheres?
José Humberto Filho - Acredito que acima de qualquer conquista “formal”, o maior trunfo foi o “despertar respeito” no meio social. Refiro-me à atenção especial e percepção de grandeza que a mulher passou a desempenhar na sociedade nos últimos dois séculos, especialmente de meados do Século XX em diante.

Lucélia Muniz - Em pleno século XXI, quais situações ainda são enfrentadas pelas mulheres? Seja na questão de gênero, na falta de políticas públicas e/ou no contexto socioeconômico.
José Humberto Filho - Para a resposta desse item, faço a seguinte reflexão. Sendo bem analítico, essa discussão sobre “questão de gênero”, no Brasil, tomou maior intensidade nos últimos dez anos, decorrendo, principalmente, dos reflexos sociais da Lei Maria da Penha.  Logo, essa temática (no Brasil) é recente e possui premissas jovens, de maneira que esse debate deve ser amadurecido para uma discussão mais sólida, ao contrário do que é propagado.

No contexto socioeconômico e político, as mulheres vêm ganhando espaço, e espaços importantes. Se pararmos e fizermos um breve mapeamento, notamos que os espaços público de grande importância são capitaneados por mulheres. Prova disso, temos a Presidência do nosso país nas mãos de uma mulher; nossos vizinhos argentinos eram liderados até pouco tempo por uma mulher; a Alemanha, uma das economias mais sólidas do bloco europeu e uma nação de desenvolvimento admirável, tem como Chefe do Parlamento uma Mulher; cada vez mais as mulheres tomam espaço antes reservados ao público masculino (p. ex., imaginem quantos de vocês já se depararam com mulheres médicas, magistradas, promotoras, advogadas, engenheiras...).

Enfim, penso que as situações/dificuldades enfrentadas pelas mulheres tendem a elidir gradativamente. Existem dificuldades? Sim, naturalmente. Não sendo clichê, posso citar o preconceito, o machismo, a desconfiança, a violência doméstica, etc. Ora, vivemos em um país de marca patriarcal enraizada por mais de cinco séculos. Uma transformação, uma “revolução” de pensamento e comportamento não ocorrerá instantaneamente. 

Lucélia Muniz - E como a Educação pode ser usada como uma “arma” no combate a estas situações?
José Humberto Filho - Bem, é fato que a educação é a chave para o desenvolvimento de qualquer nação. Infelizmente, nosso País passa por um profundo estado de letargia no sistema educacional. Isso pode parecer um absurdo, mas não é. Educação não se confunde com quantidade, formação, titulação ou graduação.

Educação vem da base e representa senso crítico e político. Contudo, o ensino básico no Brasil é um caos. Ao contrário de países desenvolvidos (como Japão, Alemanha, Estados Unidos...), nos quais o sistema educacional foi construído a partir de largos investimentos na educação fundamental, visando a construção de conhecimentos consistentes e um elevado grau de reflexão ainda na infância e na pré-adolescência, aqui, pega-se a contramão: investe-se na educação superior, na reta final de um cansativo percurso. De tal forma, não surpreendentemente, a conta chega, e chega cara.

Tratando-se da educação como “arma” ao combate das dificuldades enfrentadas, temos que ter em mente a educação básica. Os valores e as premissas necessárias a esse combate devem ser implementados ainda na educação fundamental de maneira séria e objetiva, a partir de rigorosos critérios pedagógicos e da adoção de modelos educacionais que deram certo em outros países.

Sobretudo, é imprescindível dissociarmos a educação no combate às dificuldades passadas pelas mulheres de práticas político-ideológicas. Aquela se baseia nos parâmetros já citados, e busca o desenvolvimento de uma convivência harmoniosa pautada no respeito e cooperação entre crianças, adolescentes, homens e mulheres; já as últimas são fundadas em um discurso subjetivo sem o rigor técnico-científico exigido pela matéria. Infelizmente, este último modelo vem crescendo a cada dia em nosso país.

Lucélia Muniz - Neste Dia Internacional da Mulher, no mês de março, qual Mulher você gostaria de homenagear em nome de todas? Por que?
José Humberto Filho - Por fim, encerro essa nossa conversa homenageando, em nome de todas as mulheres, minha avó, Risalva Feitosa – minha referência de determinação, disciplina e afeto. Justifico a ausência de sua imagem pelo fato dela não ser muito “fã” de fotos.

Um comentário:

  1. O tema foi muito bem abordado. Parabéns!
    3º Ano "A"
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    Felipe.

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