segunda-feira, 27 de junho de 2016

“Vestindo a armadura de mulher adulta”

(...) se sentia como uma criança antes de pular da cama para vestir a armadura de mulher adulta (...)
A Balada de Adam Henry de Ian McEwan

Ontem (26) terminei a leitura do livro – A Balada de Adam Henry – e me deparei com uma série de questionamentos. O próprio núcleo do livro gira em torno do mundo de uma juíza e um caso que envolve o entendimento de preceitos religiosos mediante o dever de salvar ou não uma vida.

Neste ponto indaguei a minha sobrinha: - Sabe por que o livro é sempre melhor que o filme? E, logo em seguida afirmei: - Porque no filme não caberia a riqueza de detalhes de um livro.

Se engana quem pensa que o autor se atém a este caso apenas, ele acaba por descrever a rotina de trabalho da jurista (a juíza Fiona) em detalhes. Ao final do livro, o autor justifica dizendo que recorreu a um amigo jurista para conseguir escrever algumas situações referenciadas na leitura.

Escolhi o trecho citado logo ao início desta postagem “(...) vestir a armadura de mulher adulta (...)” para tentar expor algumas questões que me ocorreu subitamente. O contraponto do livro é a vida pessoal de Fiona: sua idade (as inseguranças de seus quase 60 anos); um casamento por um fio (marcas da traição do marido); um casal sem filhos (solidão/maternidade); e sua própria rotina.

Sua profissão dita sua conduta inabalável, afinal nascemos numa sociedade engessada onde as regras já vem todas “empacotadinhas”. Não existe meio termo! E assim conduzimos nossa vida, fazendo escolhas, tomando decisões, abrindo mão de novas possibilidades, sendo conveniente, muitas vezes...

Optar por manter um determinado ritmo, uma “rotina saudável” aos olhos da sociedade pode ser bem mais cômodo. Quanto a personagem do livro – eis que representa as mulheres que vestem sua armadura de adulta. E, quantas de nós vestimos esta armadura ainda na infância, queimando etapas da nossa vida? Quando começamos a trabalhar antes da maioridade ou nos tornarmos mães de forma precoce ou ainda nos arrependemos tardiamente por não ter filhos...

Se a personagem principal do livro, a juíza Fiona da Vara da Família, baseava seus vereditos no bem-estar e proteção das vítimas analisadas nos casos que julgava... Como encontrar este caminho em sua própria vida pessoal?
- Talvez vestindo sua armadura de mulher adulta!   

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